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Crédito no Brasil cresceu em maio, mas juros livres elevados e inadimplência de 4,7% mostram que a expansão ocorre com riscos maiores no sistema.
segunda-feira, 13 de julho, 2026 | 11:38 | Última atualização em: 13 de julho, 2026 às 13:06

O crédito no Brasil continuou crescendo em maio de 2026, mas o avanço veio acompanhado por juros altos e aumento da inadimplência. O estoque do Sistema Financeiro Nacional alcançou R$ 7,3 trilhões, alta de 0,6% no mês e de 9,5% em doze meses, enquanto a parcela com atrasos relevantes chegou a 4,7% da carteira.
Os números do Banco Central descrevem uma economia em que empresas e famílias ainda demandam financiamento, apesar da Selic elevada. Ao mesmo tempo, a piora da qualidade do crédito aumenta provisões, exige seleção mais rigorosa e pode limitar a transmissão de futuros cortes de juros para as taxas cobradas dos clientes.
O crédito ampliado ao setor não financeiro, conceito que inclui empréstimos bancários, títulos públicos, títulos privados e recursos externos, atingiu R$ 21,5 trilhões, equivalentes a 164,2% do PIB. Nesse contexto, a expansão de 12,2% em doze meses mostra que o financiamento da economia vai muito além dos balanços bancários.
A carteira do SFN cresceu tanto para empresas quanto para famílias. Os saldos chegaram a R$ 2,7 trilhões para pessoas jurídicas e R$ 4,6 trilhões para pessoas físicas, com altas mensais de 0,7% e 0,5%, respectivamente. Além disso, o crédito direcionado avançou 13,1% em doze meses, acima dos 6,9% observados nos recursos livres.
Nos recursos direcionados, regras e fontes específicas apoiam modalidades como habitação, crédito rural e programas empresariais. Já as linhas livres respondem mais diretamente a custo de captação, concorrência e risco. Por isso, a diferença de ritmo ajuda a explicar por que o volume total cresce mesmo com condições caras no mercado sem direcionamento.
A taxa média das novas concessões ficou em 33,4% ao ano. Contudo, no crédito com recursos livres, a média alcançou 49,5% ao ano, alta de 3,7 pontos percentuais em doze meses. Para empresas, a taxa livre foi de 25,2%; para famílias, chegou a 62,8%, evidenciando riscos, garantias e prazos bastante diferentes.
Uma eventual queda da Selic tende a reduzir parte do custo de captação, mas o repasse não é imediato nem integral. Spread, impostos, despesas operacionais, inadimplência e competição também formam a taxa final. Na prática, clientes mais arriscados podem continuar enfrentando crédito caro mesmo durante um ciclo de flexibilização monetária.
A inadimplência total aumentou 0,1 ponto no mês e 1 ponto em doze meses, para 4,7%. Nas famílias, o indicador chegou a 5,6%; nas empresas, a 3,2%. Além disso, considerando apenas recursos livres, os percentuais foram maiores: 7,6% para pessoas físicas e 4,1% para pessoas jurídicas.
Para as instituições financeiras, atrasos exigem provisões que reduzem o lucro contábil e o capital disponível para novas operações. Em contrapartida, taxas mais altas podem sustentar margens enquanto a carteira permanece saudável. O resultado líquido depende, portanto, do equilíbrio entre crescimento, preço, recuperação de créditos e perdas efetivas.
O crédito livre para pessoas jurídicas ficou praticamente estável em doze meses, embora o estoque total empresarial tenha avançado. Títulos privados de dívida cresceram 17,5% no conceito ampliado, indicando que companhias com acesso ao mercado de capitais encontraram alternativa aos bancos. Ainda assim, pequenas empresas dependem muito mais das linhas bancárias e sentem com maior força a restrição.
Capital de giro curto, antecipação de recebíveis e adiantamentos de contratos de câmbio estiveram entre as modalidades que avançaram no mês. Esse perfil pode refletir necessidades operacionais e financiamento do comércio. Contudo, uma concentração em prazos curtos também aumenta a exposição das empresas a refinanciamento e mudanças rápidas nas taxas.
O crédito livre às pessoas físicas cresceu 11,7% em doze meses, impulsionado por consignado e cartão à vista, entre outros componentes. Ao mesmo tempo, o endividamento das famílias ficou em 49,8% em abril, e o comprometimento de renda atingiu 28,2%. Esses indicadores mostram que uma parcela relevante da renda futura já está vinculada a obrigações financeiras.
Nem todo crescimento representa deterioração: financiamento habitacional, por exemplo, forma patrimônio e possui garantias. Por outro lado, rotativo, cheque especial e linhas sem garantia podem elevar rapidamente o custo. Desse modo, composição, prazo e capacidade de pagamento importam mais do que o valor bruto da dívida.
Investidores costumam observar crescimento da carteira, margem financeira, custo de crédito e índice de cobertura em conjunto. Uma instituição que cresce rapidamente pode ganhar receita, mas também acumular operações originadas em padrões menos conservadores. Por isso, a alta da inadimplência tende a elevar a atenção sobre safras de concessão e provisões.
Bancos com bases diversificadas, garantias robustas e capacidade de precificar risco podem atravessar melhor o ciclo. Ainda assim, competição de fintechs, mudanças regulatórias e portabilidade pressionam receitas. Portanto, o dado agregado do Banco Central é ponto de partida, enquanto a análise de cada ação exige examinar seu balanço.
O volume de R$ 21,5 trilhões inclui títulos públicos, que cresceram 17,6% em doze meses, e títulos privados, com alta de 19%. Isso mostra como condições fiscais e mercado de capitais se conectam ao custo de financiamento. Quando o Tesouro paga prêmio elevado, empresas precisam competir pela poupança do investidor e podem enfrentar custo maior para emitir.
Ao mesmo tempo, um mercado de dívida corporativa mais profundo reduz dependência exclusiva dos bancos. Essa diversificação pode financiar infraestrutura e investimentos longos, desde que haja transparência e adequada avaliação de risco. Para acompanhar os efeitos sobre bancos, juros e atividade, o leitor encontra análises no Radar Bolsa.
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